segunda-feira, 23 de março de 2015

TDAH - Transtorno de Défict de Atenção

Entrevista cedida pela Psicóloga Fernanda Guimarães ao Jornal OVALE.

Como diferenciar o comportamento de uma criança que já é ativa por natureza daquela que possui um transtorno de déficit de atenção? Quais os cuidados devem ser tomados para não errar no diagnóstico?
Um dos principais pontos a serem observados é que a criança portadora do Transtorno de Déficit de Atenção não consegue ficar mais de 20 minutos, aproximadamente, realizando a mesma atividade. Outra característica importante é que o Transtorno de Déficit de Atenção traz sofrimento à criança. Como ela não consegue ficar quieta, ou se distrai facilmente, ela acaba não conseguindo se concentrar nas atividades do dia-a-dia, o que a deixa irritada e, por conseqüência, mais inquieta e mais dispersa.
Sintomas característicos desse transtorno:
  • Hiperatividade;
  • Dificuldade de concentração e fácil distração;
  • Desobediência – muitas vezes confundida com falta de educação e limites;
  • Dificuldade de terminar projetos já começados;
  • Ansiedade;
  • Impulsividade;
  • Irritabilidade;
  • Problemas de aprendizado;
  • Impaciência; 
  • Problemas relacionados à memória.

Para os leigos, alguns comportamentos de crianças inquietas podem ser confundidos com Transtorno de Déficit de Atenção, porém esse é um diagnóstico difícil e deve ser feito por um profissional especializado. Para um diagnóstico preciso, é necessário levar em consideração:
  • O histórico de vida da criança em todos os seus círculos sociais;
  • Como ela se comporta quando está com a família, com os amigos, na escola e em suas atividades extracurriculares;
  • O tempo de duração desses sintomas;
  • O quanto interferem no cotidiano da pessoa.  
Temos, portanto, que ter o cuidado de não diagnosticar esse sujeito por comportamentos detectados em um ambiente específico somente. É muito comum, por exemplo, uma criança que é agitada na escola receber um diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção. Muitas vezes, porém, esse diagnóstico é errado, pois leva em consideração somente o comportamento da criança na escola. Essa mesma criança, fora da sala de aula, pode ser calma e se concentrar durante outras atividades.

De que forma você aconselha que as escolas preparem seus professores para lidar com essas crianças que possuem esse transtorno?
É importante que os professores conheçam o Transtorno de Déficit de Atenção e seus sintomas, para que possam alertar os pais caso percebam esses comportamentos na sala de aula. É fundamental saberem lidar com esses alunos,pois demandam atenção e paciência. Precisam entender que não são desatentos porque querem e que a desatenção e agitação estão além de seu autocontrole.
Palestras e cursos são uma boa forma de adquirirem conhecimento sobre o assunto.
Professores que tenham casos de Transtorno de Déficit de Atenção entre seus alunos precisam preparar aulas mais dinâmicas. Algumas configurações da sala de aula também ajudam, como exemplo, a utilização de carteiras individuais em vez de mesas para vários alunos, já que esta última permite que o aluno se distraia mais facilmente.

A relação próxima entre família e escola pode ajudar a amenizar esse distúrbio?
Sim. A pessoa portadora desse transtorno tem toda a sua vida afetada por ele. Se a escola e a família tiverem uma boa relação, as duas partes poderão trocar informações sobre o quadro, seu andamento e, até mesmo,partilharem de seus conhecimentos para que juntas possam ajudá-la. Se, por exemplo, a família tenta esconder da escola o transtorno da criança, os professores desavisados poderão tratá-la com impaciência e rigidez excessiva, oque agravaria o sofrimento dela. 

Para os pais, como identificar quando é a hora de procurar um psicólogo?
Os pais precisam ficar atentos aos sintomas descritos anteriormente. Geralmente, um dos indicativos mais fáceis de se notar é a quedano rendimento escolar, quando este não está vinculado a outros fatores, como,por exemplo, a mudança de escola ou o divórcio dos pais. Quando essa queda acontece de modo amplo, não apenas em uma matéria específica, há um sinal de que as coisas não andam bem e um psicólogo deve ser procurado.

Como funciona o tratamento do transtorno? Ele envolve medicação? Existem efeitos colaterais para as crianças?
O Transtorno de Déficit de Atenção não tem cura, por isso o tratamento com um psicólogo é tão importante, pois dará ferramentas, tanto para a criança quanto para os pais,para lidarem com esse transtorno. Deve ser associado ao tratamento psiquiátrico, com a prescrição de medicamentos, pelo menos por algum período,que irão atuar na irritabilidade, ansiedade e agitação do sujeito. A Ritalina é o medicamento mais utilizado, porém o psiquiatra pode prescrever outros medicamentos associados. Estes podem causar efeitos colaterais e, por isso, o acompanhamento psiquiátrico é tão importante. 

Normalmente essas crianças com o transtorno conservam amizades ou são mais isoladas?
Normalmente, elas são mais isoladas, uma vez que seus comportamentos podem gerar dificuldades em manter esses relacionamentos. 

Quais tipos de terapias alternativas, como pintura por exemplo, podem funcionar no tratamento?
O ideal é que a criança portadora do Transtorno de Déficit de Atenção tenha uma rotina parecida como a de qualquer outra. Fazer um esporte,como natação, futebol ou artes marciais, é sempre algo positivo. Pintura, curso de línguas, e quaisquer outras atividades extracurriculares também podem ser benéficas. Embora seja um erro comum, é importante salientar, entretanto, que não é recomendado ocupar de forma exagerada todo o dia do sujeito com essas atividades. É errada a crença de que quanto mais atividades ele tiver, mais ele ficará cansado e, portanto, menos agitado. Esse excesso pode gerar um efeito contrário, deixando-o ainda mais irritado e ansioso.

Fernanda A. Linhares Guimarães
Psicóloga – CRP:06/90599
Rua Arnaldo Ricardo Monteiro, 71, São José dos Campos
Tel:12-39414392

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