quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Ich Seh, Ich Seh – Boa Noite, Mamãe: a resistência psíquica às mudanças relativas ao luto

Artigo escrito pela Psicóloga Clínica Fernanda Guimarães e pelo Especialista em Sociologia Roberto Guimarães.



AVISO: o texto abaixo contém SPOILERS.

O filme Boa Noite Mamãe é um suspense impressionante que cria a tensão a partir do ritmo e da linda fotografia. O ritmo possibilita ao espectador se envolver com a trama, dá tempo à construção da identificação com os personagens. A fotografia reflete bem o desolamento necessário à ambientação.
A mãe chega em casa após uma cirurgia plástica. Seu rosto coberto por bandagens lhe confere um aspecto desumano, um tanto ameaçador. Apesar de possuir dois filhos, dirige a palavra a apenas um deles. O trato é frio e bruto, com rompantes de violência, sugerindo instabilidade emocional. Quase não há diálogos. O local é isolado da cidade e as crianças ficam praticamente restritas ao convívio com a mãe.
Conforme a trama se desenrola, as crianças passam a duvidar se aquela mulher que voltou é de fato a mãe deles. Apesar de não estar claro de início, as cenas vão mostrando, aos poucos, que uma tragédia, a perda de algum familiar, havia assolado a família, criando o penoso clima entre os personagens.

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